Quarta-feira, 20 de Maio, 2009

’Lisboa nova’ e a ‘Nova Lisboa’

 

Nota: Como este assunto tem muitos aspectos a considerar, usarei este sinal '(...)' para indicar que apesar de importantes não são fundamentais nesta primeira abordagem; caso contrário o texto tornar-se-ia demasiado longo. Mesmo assim... as minhas desculpas.

 

“Construí as cidades para viver tranquilo no campo”

 

Desde há vários anos que me faz todo o sentido mudar a capital Portuguesa para outro lugar e à medida que os acontecimentos nacionais vão passando na grande tela das nossas vidas, essa primeira ideia encontrada na vastidão do cosmos continua a luzir.
Se já não deixou de ler, certamente estará a pensar: “ Mas o que é que este quer agora?” E eu digo que não quero nada; mas como a vida é aquilo que nós queremos fazer dela, eu neste momento quero continuar a escrever.  :)
Perguntarão: “Mas porquê?”, “Para quê?”, “Para onde?”, “Com quê?”, “ Quem?”, “Quando?”...
Será mais alguma daquelas soluções num estilo bem conhecido de um país que se põe frequentemente em bicos de pés para receber umas ‘palmadinhas nas costas’? Porque mudar uma capital com séculos? Milhares de perguntas aparecerão neste contexto, contudo, mais importante é perceber a ideia base e tudo o resto se torna fácil.

Não faço qualquer ideia se existem pessoas que tenham pensado em tal projecto ou algo similar, mas das poucas pessoas com quem a partilhei, ao longo destes anos, só recebi uma reacção empática achando-a interessante (...). Mas, mas... Um primeiro passo dado é um passo a menos para alcançar o objectivo!

Muito bem. Sendo assim a ideia á recriar Lisboa fazendo dela a Primeira Capital Universal da Cultura de carácter permanente, onde o objectivo é respirar cultura permanentemente onde ela possa ser respirada; mas como não podemos passar sem respirar, ela deveria estar em todo o lado!

Também é fácil perceber que tudo isto deveria ser gradual, fazendo todo o sentido dar destaque às zonas mais atractivas e históricas, com condições adequadas e boas acessibilidades.
Dois apontamentos parecem importantes serem referenciados: tal projecto, certamente, precisaria de um plano de vários anos e exigiria uma sensatez muito grande para que o projecto pudesse gestar, nascer, crescer e prosperar.
Por si só não seria um sinal de uma nova mentalidade? Executar de forma sustentada projectos que passam para lá das alterações governamentais, a precisar inevitavelmente de um consenso base de todas as forças... e onde todos se comprometam (...).

Infelizmente, quer queiramos ou não tudo tem os seus critérios que necessitam passar por um processo de avaliação e selecção. Mas tal deveria ser assumido e ser uma das questões centrais do processo: “Que estilos de arte querem os Portugueses promover?” Sim porque tal deveria ser assumido por todos de forma a ser o mais abrangente e inspirador possível.

As alterações seriam muitas mas a base do projecto seria usar os edifícios administrativos onde estão instalados os ministérios, que progressivamente passariam para a ‘Nova Lisboa’ a criar, tanto quanto possível no centro de Portugal; mas já lá vamos.
Não estão os ditos ministérios e serviços do estado em zonas privilegiadas da capital? Pois é isso mesmo que se torna relevante!
Todas as alterações dos edifícios teriam de ser consideradas para receber a nova funcionalidade. Assim teríamos no “ministério X” as melhores condições para vários estilos de escultura, no “ministério Y” a melhor arte ligada à pintura (...) “ministérios temáticos”, os edifícios da Praça do Comercio, p.e., poderiam ter uma exposição permanente com o que mais relevante mudou com a empresa dos descobrimentos, especialmente na mente Europeia e no mundo em geral. Em relação aos ditos descobrimentos, na realidade pouco importa se foram os Portugueses ou outros quaisquer. Se não tivéssemos sido nós teriam sido outros. Mas o facto é que fomos nós e somos nós que temos de sabiamente mostrar o que de bom e de menos bom aconteceu. Sim porque também existem muitas coisas mal contadas e escamoteadas propositadamente, certamente para servir interesses que parecem pouco interessados na verdade, mas até isso pode ser corrigido sabiamente.
Fala-se muito das especiarias mas quanto a mim foi todo o conceito do mundo que mudou! Arquétipos e mitos que caíram e novos que surgiram deveriam ser centrais numa exposição deste tipo (...) Todas as potencialidades estão lá à espera…

Na área dos transportes deveria ser pensada, dentro do possível trazendo ao ambiente paz e sucesso sem os quais não existem condições nem sequer para apreciar o David de Miguel Ângelo!

Claro que haverá muitos outros aspectos, mas por agora são algumas das partilhas que me parecem mais importantes; refira-se que, quer na origem da arte, quer no seu destino, o objectivo seria o “Português Universal” que é todo aquele que tem um pensamento tão abrangente quanto o do Agostinho da Silva: “Pensamento Português é aquele que aceita todos os pensamentos e não rejeita nenhum”
Certamente que as nações que falam a língua Lusa teriam o seu destaque mas também a sua responsabilidade, (...) a par da dispersa e ainda muito distante comunidade Portuguesa espalhada pelo mundo, que pouco ou nada se sabe. Onde está esse Portugal? Está morto ou vivo?
O projecto englobaria qualquer um que se mostrasse interessado e sem excepção, porém destaque deveria ser dado e a funcionarem como colaboradores prioritários deveriam estar o Brasil, Irlanda, Espanha, Marrocos e talvez a Índia (...). Assim teríamos pelos mais variados motivos representantes de várias sensibilidades, que quanto a mim importa cultivar, a par de todo o atractivo e tudo o que tal representa.

Fica então por abordar a questão da nova capital. Diga-se que a ideia não seria arranjar um qualquer espaço para fazer uma capital à pressa.

Parece evidente que só uma mudança de peso iniciará um movimento sustentado de repovoamento do interior, que seja a alavanca para lhe dar a importância e o brilho que fatidicamente continua a perder. Como é possível que mais de 80% da população esteja na faixa litoral, entre Lisboa e Porto? Será realmente possível? Estamos com medo da Europa? Querem atirar-se todos ao mar, com barca e tudo?
A execução de tal projecto pode muito bem ser a única forma de ‘reequilibrar’ este pais; para além de aproximar o poder ao País Real, ao ‘País Simples de Beleza Sem Fim’ que é onde está a Alma Portuguesa. Sem Alma onde iremos nós?

A Capital Universal da Cultura (ou Capital Cultural Universal) e a nova capital para ‘reequilibrar’ Portugal são o centro deste pensamento; outros aspectos podem ser considerados nesta aparente megalomania, mas na realidade não é. É sim a satisfação de necessidades fundamentais que desde à muito estão descuradas. Muito mais do que fazer meia dúzia de exposições ou mudar um ministério para ali ou para acolá, são a criação das condições base para uma mentalidade nacional realmente assente em factos a pensar nos próximos séculos com cultura, conhecimento e a dita qualidade de vida (...) onde Portugal pode ter um papel que na realidade só mesmo ele pode desempenhar.

Como dizia no princípio, mesmo de uma forma inconsciente e forçado por vários factores este movimento já esta a ocorrer, como é o caso da construção do novo aeroporto. A dita nova cidade bem que podia ficar ‘algures do outro lado do aeroporto’, o que beneficiaria de todas as infra-estruturas já programadas ou em construção. Prolongar as estruturas, como auto-estrada, comboio, a proximidade ao novo aeroporto...ligaria assim as duas capitais. Sim, sim, duas! Uma para a ‘Nacionalidade’ outra para a ‘Universalidade’! Contudo ligadas.
Um relance rápido sobre a história Portuguesa parece confirmar em linhas gerais toda esta ideia. Foi quando Portugal foi governado ‘pelo Interior’ no contacto com esse ‘Pais Real da Terra e Alma Simples de Beleza Sem Fim’, que este país, com um punhado de mulheres e homens, se lançou na feita dos descobrimentos! Foi durante esses séculos que os Portugueses por si próprios e em si mesmos assumiram o controlo do leme e por que mares queriam ‘navegar’, o que resultou numa ‘nova visão do mundo’ e que será lembrada por muitos séculos. De resto, o que se seguiu traz a sensação de uma Lisboa entretendo-se sobre si própria, arrastando o país nesse adormecimento. Mais do que dar algo ao mundo usa as soluções externas que pouco ou nada têm a ver com a realidade Portuguesa.
Lisboa é uma cidade por natureza Universal mas só expressará devidamente esta maravilhosa característica quando o pais souber resgatar e se ligar a essa ‘Alma Interior’. Acresce que tal solução poderá ter muitos dos benefícios apontados por quem defende a regionalização mas sem as desvantagens (...).

Pensada de raiz esta nova cidade pode ser idealizada como modelo de arquitectura. Recorde-se, as infra-estruturas base construídas antecipadamente deixando os devidos espaçamentos para as futuras construções, são sempre mais económicas do que quando construídas no meio de prédios!

A propósito de ‘palmadinhas nas costas, Portugal tem tudo para ser um país de gente feliz que aprecia, respeita, ama e acima de tudo sacraliza cada grão da mais simples areia das suas terras. Sim, sim e sim. Portugal é uma terra sagrada, sempre o foi e sempre o será, mesmo que haja forças que queiram fazer acreditar no contrário (...).
É esse reconhecimento dessa Beleza Sem Fim dos sabores, aromas, cores, sons e texturas exalando sentimento que essa Alma Portuguesa forjada no molde da simplicidade, da criatividade, na visão vasta e ampla, na bravura e numa Universalidade de um abraço eterno que não exclui nada, que precisa ser desenterrada, polida e colocada no mais fino pedestal para que brilhe para todos.

Hasteando as velas da Universalidade. É a Hora.

Ventura da Luz (R.P.) Abril de 2009


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